Resumo:
Este estudo analisa a influência da taxa Selic sobre as decisões de financiamento e a estrutura de capital de empresas de transmissão de energia elétrica listadas na B3, no período de 2015 a 2024, à luz das teorias Pecking Order e Trade-Off. Adota-se abordagem quantitativa, descritiva e comparativa, com base em dados secundários obtidos nas demonstrações financeiras das empresas Cemig, Enel e Eletrobras, e nas séries históricas da Selic divulgadas pelo Banco Central do Brasil. O indicador utilizado é o Endividamento (Passivo Total/Patrimônio Líquido), analisado em conjunto com a média anual da taxa Selic. Os resultados evidenciam correlações negativas (Cemig e Enel) e uma correlação positiva fraca (Eletrobras), confirmando parcialmente a hipótese da Teoria da Pecking Order, segundo a qual elevações da Selic reduzem o uso de capital de terceiros. De forma complementar, observou-se aderência à lógica da Teoria do Trade-Off, na medida em que determinadas decisões estratégicas refletem a busca por equilíbrio entre o custo da dívida e o benefício fiscal dos encargos financeiros. Além disso, incorporou-se o coeficiente de determinação (R²) como medida complementar, permitindo avaliar o quanto a variação do endividamento pode ser explicada pela taxa Selic. Verificou-se que, embora exista relação entre as variáveis, o poder explicativo da Selic é limitado, reforçando a presença de outros fatores determinantes na estrutura de capital das empresas analisadas. Conclui-se que a política monetária exerce influência significativa sobre a estrutura de capital no setor elétrico, embora condicionantes institucionais e estratégicos também desempenhem papel relevante nas decisões de financiamento.